sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Unicum et Solum - C01P03

  Depois de termos comido, ele levou-me ao meu quarto, e fechou a porta. Estava como eu o deixei, à 5 anos, até com brinquedos no chão. Deitei-me na cama e fiquei a pensar. O dia em que nós nunca mais nos vimos, o dia em que ele me mandou para o meu pai logo quando soube da notícia. Via-se que ele tinha estado todos estes anos sozinho, mas também não quis a companhia de ninguém.
  Adormeci, mas depois acordei outra vez... também me sentia sozinho.
  Saí do quarto e bati à porta.
  - Sim?
  - Posso entrar tio?
  - Podes, mas não me chames tio.
  - É melhor decidires-te.
  Abri a porta, estava uma vela acesa, entrei e fechei-a com cuidado.
  - Não te importas se eu dormir aqui... contigo?
  - Não, mas porquê?
  - Está um pouco frio.
  - Frio? Logo nesta noite em que Hélio se descontrolou e mandou para aqui esta onda de calor? Aliás tanto frio que nem voltaste a pôr a toga ou as sandálias...
  - Ah...
  - Vem lá...
  Quando comecei a deitar-me, ele agarrou-me com força e puxou-me para junto dele. A pele dele é mágica, nunca tinha sentido nada assim. Faíscas de prazer, que me seduzem e fazem-me querer mais. E uma sensação de segurança... No momento em que os nossos lábios quase se tocavam, ele sussurrou amavelmente:
  - Dorme bem. - empurrou-me para o lado e apagou a vela com um sopro.

  Acordei com um galo a cantar, mas ele continuava a dormir. Olhei para o lado, e reparei na cortina rasgada no chão, com manchas de sangue. Decidi olhar apenas para ele, respirava calmamente. Parecia impossível ter acontecido alguma coisa, mesmo que há muito tempo. Toquei levemente na cara dele, desci para o peito, e senti o seu coração a bater.
  - Bom dia... - disse ainda ensonado, pegou na minha mão e beijou-a.
  - Olá Caco. - disse e sorri para ele.
  - Apesar desta minha nova preocupação, hoje quero comemorar a tua chegada...
  - Hmm...?
  - E agora lembrei-me... tu estás dependente de alguém?
  - Não... dessa forma, não.
  - Qual forma? - perguntou com um olhar malandro.
  - Tu sabes...
  - Esta...? - aproximou-se lentamente até ao meus olhos e apertou com força as minhas partes baixas.
  - S-s-sim.
  - Então rapaz... estás a ficar excitado? - interrogou-me severamente e aumentou a força.
  - S-n-não.
  - Repete... decentemente e sem confusão.
  - Não.
  - Pois não, não é o que parece.
  - Ma-ma-mas já podes largar, por favor?
  - Já que imploras...


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