domingo, 9 de setembro de 2012

Unicum et Solum - C01P02

  - Não me chames isso, fazes-me mais velho... - veio até mim.
  - Caeculus?
  - Muito comprido...
  - Caco?
  - Pode ser...
  Ajudou-me a levantar, deu-me um beijo na testa, e abraçou-me.
  - Estás tão grande, da última vez que te vi não chegavas a metade...
  - Ahahah... - sarcasticamente - Exagerado.
  - Tens fome?
  - Sim.
  Ele dirigiu-se ao jardim, e eu segui-o. A Lua brilhava intensamente, havia muita vegetação, ruínas de um antigo templo, mesas e bancos de pedra, e numa delas uma cesta com fruta e uma jarra de vinho. Mal pousei o pé, fiquei molhado, olhei e reparei, as pedras estavam cobertas com um manto de água, como numa praia.
  - Convinha teres tirado as sandálias, e a toga.
  - Também convinha teres-me avisado antes. - tirei e joguei para o outro lado.
  Quando virei-me novamente ele começou a atirar-me água, e eu também. Não parámos de rir.
  - Bem já chega rapaz. - sentámo-nos os dois.
  Demos as mãos e olhámo-nos nos olhos, eu via a felicidade dele, mas de um momento para o outro, ele começou a parecer um pouco zangado.
  - O que fazes aqui?
  - Hã?
  - Desde a morte da Adisa que vocês não podem entrar aqui.
#Parênteses#
  Há muito, muito, tempo, o Rei da Península morreu, e devido a várias discussões, o Reino dividiu-se pelos seus três filhos, Draco, Caeculus, e Adisa. Caeculus e Adisa eram muito amigos, e começaram a pensar em juntar os seus condados. Quando Draco soube, temeu ficar a ser o mais pequeno, então mandou dois assassinos ao palacete de Adisa à noite. Na manhã seguinte já o seu exército tinha ocupado a cidade. Caeculus imediatamente mandou ser construída uma muralha em 5 dias, para dividir o território. Nesses 5 dias ele trancou-se no seu quarto, algumas pessoas dizem ter ouvido gritos e choros sem fim. Quando ele saiu, fez uma lei onde dizia que qualquer pessoa que viesse do Reino de Draco estava proibida de entrar no seu.
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  - Isso já foi à 5 anos.
  - A pergunta não foi essa. O que fazes aqui?! - começaram a escorrer-lhe lágrimas dos olhos.
  - Eu fugi de lá Caco, eu não aguentava mais a ditadura dele. Mas acalma-te.
  - Agora é melhor chamares-me tio.
  Ele estava muito nervoso, eu pus-me ao lado dele e abracei-o. Senti a respiração acelerada e as lágrimas dele no meu ombro.
  - A tua barba pica um pouco. - passou de choro para riso.
  - Daqui a pouco tenho o exército inteiro do teu pai ali à porta, o mais estranho era eu ter o pressentimento que eras tu.

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