quarta-feira, 1 de julho de 2015

Quebra

   Estava eu a ressuscitar uma conta de nuvem encriptada, que devido à ligação com o e-mail desta conta, fez-me entrar na Caixa de Entrada da mesma, e dou com uma mensagem de alguém que leu o blog inteirinho (Parabéns!) a requisitar mais textos da minha parte neste querido espaço virtual.

   Já tinha eu também pensado nisso, passei por aqui, e aliás, até a um amigo ou dois passei-o. Mas afastei-me dele.

   Não tinha ainda conectado os pontos, torna-se perceptível na minha cabeça que o meu caminhar contrário em relação a este lugar se deu devido à componente social que cada vez mais cresceu e solidificou, ocupando não só o meu tempo mas a vontade de reflectir aqui, porque pude começá-lo a fazer com outras pessoas.

   Desenvolvi velhas e novas amizades, comecei a sair mais, o horário da escola também aumentou e o número de trabalhos para fazer não poderia ficar indiferente.

   Ocorreu também sem dúvida um corte em alguns temas ou focos de interesse, falar sobre crushes à distância (aka Ezra Miller), escrever sobre utopias de centralização urbana estudantil (que já não é com certeza a minha proposta no campo educacional), ou ainda metafísica New Age, já não me vai na alma.

   Considero que me tornei mais prática, para o bem ou para o mal, sinto que tenho os pés mais na Terra. Que retórica ética/religiosa de primeiro mundo da classe média branca não me serve nem tem potencial para mudar alguma coisa.

   Envolvi-me com o movimento anarquista, áreas estudantil e laboral, e dancei cada vez mais com o feminismo e com o movimento queer. Pensando nisto arrependo-me de publicações com conteúdo misógino e ilusório, de forte especulação, e também duma onda afincadamente GGGG que se foi desenvolvendo. O que para mim como genderqueer é altamente triggering!

   Feliz primeira publicação de 2015, e que venham muitas mais.
   P.S.: Stonewall foi a 28 de Junho e hoje estamos a 1 de Julho, portanto ainda vale a pena desejar muita coragem e revolta queer para este ano.

Marcha do Orgulho LGBT de Lisboa 2015

2 comentários:

  1. jamais sejas ou «lógico» ou «não hipócrita» ou simplesmente «perfeito» mas a nossa espécie é criativa, varia, e faz as coisas ou pelo menos devia fazê-las com toda a liberdade.
    Enfim existe muita estupidez, existem pessoas que não são da nossa espécie mas fazem-se passar por ela e a sua estupidez é brutal. Todas as espécies são bem-vindas mas esses estúpidos autoritários...
    Ou seja tudo para dizer que se odiares cerejas mas se um dia quiseres comer todas as cerejas do mundo, fá-lo.

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    1. Concordo contigo, somos seres fluídos que devemos aceitar a nossa impermanência, e a nossa estranheza perante os outros. Aqueles que não o fazem, infelizmente a maioria, que se conformam a construções sociais e a sistemas de dominação que restringem a diversidade e o livre desenvolvimento, tendem a ter uma experiência muito mais diminuta e violenta que os restantes. Cancro.

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