sábado, 8 de dezembro de 2012

Unicum et Solum - C02P02

(NOTA: Afinal têm os dois a mesma pulseira)

  Rapidamente os jardins encheram-se de gente. Conseguimos escapar os dois para o quarto sem ninguém se aperceber.
  - Podes não saber, mas eu já me seco sozinho.
  - E já fazes mais alguma coisa sozinho? - perguntou ao mesmo tempo que me virou para secar as costas.
  - Sim.
  - O quê...? Ah, acho que já sei. - disse, a passar a toalha entre as minhas pernas.
  - Perverso...
  Aproximou-se ao meu pescoço e mordeu-o.
  - Podes crer... Agora vai para o teu quarto.

  Sentá-mo-nos e ele pôs o braço à minha volta, como se estivesse a marcar território.
  - Estratégia. - disse como se acabasse de ler o meu pensamento - O poder agrada-lhes.
  - Pensava que tu não suportavas hierarquias.
  - E não suporto. O ser humano, muitas vezes, adora e precisa de ser guiado por alguém. Eu preferia não ser o pastor deste rebanho, mas se não fosse eu, o mais provável era eles caírem nas mãos erradas.
  - Esta é a primeira lição?
  - Se tiver a criar o próximo pastor, sim, esta será a primeira lição.
  Reparei num rapaz de cabelo castanho aloirado e olhos azuis a olhar para mim que sorriu levemente quando me viu a olhar para ele também.
  - Hmm...
  - Qual é o nome dele?
  - Delio! - chamou-o - Podes chegar aqui?
  O rapaz veio apressado e ajoelhou-se.
  - Bom dia, senhor. E jovem.
  - Delio, este é o meu sobrinho, o Argos, como sabes hoje é dia de caça, gostava que lhe fizesses companhia... ficas dispensado das tuas actividades. Concordas?
  - Claro, senhor.
  - Então deixo-vos sozinhos e vou preparar-me. - o Caco levantou-se e foi para dentro do edifício.
  O Delio sentou-se ao meu lado, silencioso e um pouco envergonhado.
  - Olá. - cumprimentei-o.
  - Olá.
  - ... tens quantos anos?
  - 17, e tu?
  - 14.
  - Chegaste ontem, certo? Então não deves conhecer muita coisa...Queres que eu te mostre o meu lugar preferido?
  - Por mim tudo bem.

  Era no meio da floresta, com tantas folhas o sol quase que não conseguia passar.
  Arrancou duas maçãs de uma árvore e deu-me uma.
  - Verde da cor dos teus olhos. - disse a olhar para os meus fixamente - Também gosto da tua pele pálida -tocou-me suavemente na cara e de seguida beijou-me.
  De repente, já estávamos entrelaçados, e ele tinha-se revelado uma autêntica fera.
  Porém, ele de alguma forma havia percebido que eu não queria avançar tanto, então apenas fez movimentos, e ao raspar-se em mim simulou de tal forma que passado minutos já haviam gemidos a pairar no ar. Mas eu ouvi outro barulho, abri bem os olhos e ao longe vi algo a mexer-se.
  - O primeiro a chegar a casa ganha.
  - Aind--
  - Já estás a perder!


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